Projeto África

É com grande alegria que relato aqui, neste dia de Natal, a sequência de acontecimentos mais bacana do ano de 2017.

No dia 22 de fevereiro, enviei uma “Carta aos Amigos” compartilhando uma ideia e convidando-os a se juntar a mim. Eu comecei a carta citando a matéria seguir, onde perguntaram ao Bill Gates o que ele faria se fosse pobre:

Na sequência, eu colei o trecho mais relevante de uma troca de mensagens minhas com um grande amigo, Edésio Gomes de Oliveira, que é missionário na África:

 

(…)

Eu: Você tem alguma meta financeira definida para algum projeto na missão da África? Quanto precisa levantar?

Edésio: Nós estamos construindo um aviário em Moçambique, com o intuito de gerar empregos e renda para que no futuro possamos investir na construção de um orfanato. Para o aviário já temos o terreno, aliás um belo terreno que nos foi doado. Estamos na fase de construção do barracão. Já temos uma casa de três cômodos em construção também. Nós imaginamos que iremos precisar de 5 mil dólares (uns 15 mil reais) para terminar todo o projeto e começar a criação com 500 frangos. O terreno comporta uma criação de 5 mil frangos! Vai ser maravilhoso! Muito obrigado pela oportunidade de expressar esse nosso projeto, muito obrigado mesmo. Deus abençoe você, sua esposa e seus amados! Abraços.

(…)

 

Eu acho que temos de ser objetivos em tudo o que fazemos e, ao mesmo tempo, manter as coisas simples. Por isso eu não fiz uma rifa. Também não organizei um jantar nem pedi doações para um bazar ou bingo beneficente. Não. Eu escrevi aos meus amigos pedindo dinheiro. Simples assim.

O resultado foi incrível. A maioria respondeu meu email no mesmo dia dizendo que ajudaria. Vejam que bacana:

Tirando que são galinhas e eu sou vegetariana, a ideia é fantástica! Vocês têm meu apoio com X% do valor, mas com uma imensa vontade e voto que essa energia monetária centuplique e toque a muitos. Passe as instruções bancárias por favor. Ainda com dó das galinhas…

Uma vegetariana contribuiu para a construção de um aviário. Pra vocês verem o quanto eu sou foda. E ela estava certa. A energia monetária se expandiu e em menos de uma semana, tínhamos os 5 mil dólares.

De março até agora, várias etapas foram vencidas:

  • Continuação das obras da casinha que servirá de residência dos missionários e também como sede do projeto.
  • Construção do primeiro barracão, com capacidade para 500 frangos.
  • Contratação do Augusto, um moçambicano que será o primeiro funcionário do aviário. Ele está aprendendo com um criador de frangos a respeito de toda a cadeia produtiva. No futuro ele deverá cursar uma faculdade de zootecnia ou veterinária.
  • O governo moçambicano aprovou o visto de residência dos brasileiros que irão tocar o projeto: Missionário Airton e família.

 

Compartilho com os amigos algumas fotos:

Com este post, faço a primeira prestação de contas aos amigos que me apoiaram no levantamento dos recursos. Espero dar notícias novamente em breve, quando o missionário brasileiro responsável pelo projeto se estabelecer definitivamente com a família em Moçambique e a criação de frangos for iniciada.

Esse aviário é apenas o começo. Já temos informação que outros países da África, como Uganda e Angola, tem interesse em conhecer o projeto.

Deixo meu muito obrigado a todos que contribuíram, independente do valor. Quem me conhece mais intimamente sabe que eu não tenho religião. A mim basta a espiritualidade. Então, desejo que o Deus do coração e compreensão de cada um continue abençoando a todos com saúde, prosperidade e abundância.

Com meus melhores votos de Paz Profunda, sincera e fraternalmente,

Tio Pim

Mais louco que o Batman

Manhã de sábado. Minha esposa pediu que eu deixasse o carro dela no lava-rápido. O local fica a duas quadras de casa, então voltei caminhando.

Eu já estava em frente ao meu condomínio quando vi, do outro lado da rua, um casal de cachorros inseparavelmente conectados em pleno ato de procriação. Na direção deles, andando rápido e xingando, vinha uma senhora conduzindo outros três cachorros, todos na coleira. Na mão direita ela segurava uma vara de madeira. “Acariciar os cachorros é que ela não pretente”, foi minha brilhante dedução. Então parei para olhar.

– Agora eu vou te matar! – e pow!, desceu a lenha no lombo da cachorrinha, que gritou.

Todo mundo sabe o que acontece quando os cachorros transam. Na tentativa de separar, tem gente que joga água, taca pedra, dá chinelada. Aquela simpática velhinha escolheu sentar o porrete.

A cachorrinha estava de coleira e guia. De certo tinha escapado da dona durante o passeio matinal. Mal virou a esquina e já foi dando para o primeiro vira-latas que encontrou. Aí a casa caiu.

Veio a segunda paulada, seguida de outro grito da cachorra e um palavrão da velha. Nessa hora a gente percebe que a coisa não vai parar por aí. “O que Buda faria?”, pensei numa fração de segundo.

– SENHORA! – meu grito saiu alto pra caralho. Ela parou, segurando a vara no alto, e olhou pra mim. – Se bater de novo na cachorra, eu vou atravessar a rua e quebrar essa vara na sua cara! – falei com amor.

Funcionou. Ela baixou a mão e respondeu berrando:

– É MINHA cachorra! Ela fugiu de mim lá atrás. E agora olha o que ela fez. Quando a gente chegar em casa ela vai ver o que é bom. Eu vou matar essa filha-da-puta!

– Vai matar coisa nenhuma! Vou ficar de olho. Se alguma coisa acontecer com a cachorra, eu denuncio a senhora.

– Fique você com ela. Pega pra cuidar – falou e começou a se afastar, puxando a guia dos outros cachorros. – Ou então ela que fique na rua.

– Pelo que eu acabei de ver, ela vai ficar melhor na rua do que com a senhora.

Nisso a velha resolveu ir embora de vez. Não falou mais nada. Foi andando sem olhar pra trás. Dobrou a esquina e sumiu. “Agora fodeu”, pensei enquanto olhava para o casal sem-vergonha. Ainda presos um no outro.

Caminhei até o portão do meu condomínio, a uns cinquenta metros, e esperei. E esperei. E esperei. A velha reapareceu na esquina. Quando me viu, parou.

Mais alguns minutos se passaram até que a transa acabou. A cachorrinha foi correndo em direção à dona e se aproximou abanando o rabo, como se nada tivesse acontecido. A mulher apanhou a guia, me deu uma última olhada, virou-se e sumiu de novo na esquina.

Nessa hora a gente percebe que a coisa não deveria parar por aí. “O que Bruce Wayne faria?”, considerei.

Corri pra casa. Entrei apressado e apanhei a chave do meu carro. Minha esposa estranhou e quis saber pra onde eu estava indo.
– Vou me certificar de uma coisa – respondi já dando a partida no Batmóvel. – Na volta eu te explico!

Eu tinha de terminar o que comecei. Segui pela rua e virei a esquina por onde a mulher tinha sumido. Como eu suspeitava, ela não tinha ido muito longe. Eu a avistei dois quarteirões adiante. Então fui dirigindo devagar, chegando até a parar em alguns momentos para manter uma certa distância. Quando ela dobrava uma esquina, eu esperava um pouco e avançava. O celular estava no meu colo, com a câmera ligada no modo vídeo. Se a velha aprontasse de novo, eu teria provas.

Não demorou muito para que a mulher chegasse em casa. Ela abriu um portão de grade e os cães entraram correndo, subindo a rampa da garagem. “É agora! O que o Batman faria?”, ponderei.

Acelerei o Batmóvel e realizei uma chegada triunfal em frente ao portão da velha senhora. Infelizmente, não teve aquele som das freadas que a gente vê nos filmes – maldito freio ABS – mas o barulho do motor foi suficiente pra chamar a atenção dela. Baixei o vidro e ela me reconheceu de imediato. Ficou congelada, me olhando com espanto. Falei pausadamente, numa voz que, pelo menos na minha cabeça, lembrava o Morgan Freeman:

– Agora eu sei onde a senhora mora. Vou ficar de olho. Se bater de novo num cachorro, eu volto aqui com a polícia.

Não houve resposta. A velha sequer se mexeu. Subi o vidro e acelerei.

E foi assim que a paz e a justiça voltaram a reinar no Jardim Ouro Verde. Já de volta à Batcaverna, contei tudo pra minha esposa. Segundo ela, a única diferença entre mim e o Batman é a grana.

Senhores pais

Se o seu filho respeita os mais velhos, gosta de ler, toca um instrumento musical, pratica algum esporte, trata bem os animais e fala fluentemente um segundo idioma, parabéns. Você terminou a sua parte. O resto é com ele.

Com os mais velhos, seu filho certamente aprenderá sobre convívio, direitos, deveres e limites. Isso qualquer velho ensina. Mas se ele souber identificar os velhos sábios, aí sim vai ouvir sobre espiritualidade, humildade, altruísmo, tolerância, propósito, persistência e LIVROS!

O gosto pelos livros fertiliza a imaginação, desenvolve a criatividade, aprimora o raciocínio e provoca a curiosidade. A abundância da leitura leva ao domínio da escrita. Então, se um dia seu filho tiver algo relevante a dizer, ele saberá se expressar. E é bom que ele tenha algo a dizer, porque talvez o propósito da Vida seja apenas esse: deixar uma mensagem.

Palavras são importantes, mas não se esqueça da MÚSICA.

Antes de ir com seu filho ao cinema pela primeira vez, leve-o para ver uma orquestra. Permita que ele vivencie a união de cordas, sopro e percussão na forma mais pura, direto da fonte, e não através dos filmes da Disney. Espero que ele se encante com algum instrumento, manifeste o desejo de aprender a tocá-lo e que você o incentive. Seja qual for o resultado, essa experiência irá acompanhá-lo pelo resto da vida. Enfim, tomara que seu filho consiga reconhecer um violino antes de saber quem é o Mickey.

Livros e música fazem bem para a mente. No entanto, para benefício tanto da mente quanto do corpo, existe o ESPORTE. Não falo aqui da quebra de recordes mundiais por atletas de elite. Esqueça isso. Vamos focar naquilo que importa no fim do dia para o ser humano comum. Do ponto de vista mental, me refiro à disciplina, dedicação, superação e competição, que ensinarão seu filho a manter o respeito nas vitórias e a dignidade nas derrotas. Já no que diz respeito ao corpo, falo de alongamento, fortalecimento e condicionamento. Oriente seu filho a não se descuidar dessas três coisas, pois a recompensa é grande. Que desde a infância até a mais madura das idades, ele seja capaz de ficar em pé e tocar o chão sem dobrar as pernas. Que ele consiga ajudar um amigo com a mudança sem precisar faltar ao trabalho no dia seguinte por causa da coluna. Que ele suba alguns lances de escada, corra alguns quilômetros, pedale alguns minutos, nade alguns metros… E que no final ele não esteja infartando, mas sorrindo.

E por falar em sorrir, seu filho precisa de um cachorro. É sério. Uma criança que nunca teve cachorro se torna um adulto incompleto. Tudo bem, tem também os gatos. Mas gatos não ensinam quase nada para as crianças. Aliás, dependendo do gato, ele pode até ser um mal exemplo, isso sim. Gatos são para adultos. Gatos são complexos, misteriosos e independentes, exatamente como os adultos fingem ser. Cachorros são simples, espontâneos e companheiros. Esse é o tipo de influência que você quer sobre o seu filho. O importante é desenvolver um sentimento de amor e respeito pelos animais. Não se preocupe com a raça. Criança não liga para essas coisas. Um vira-lata trapalhão e bagunceiro vem com as mesmas funções básicas de um border collie adestrado que late em inglês, o que me leva ao último tópico.

Abundância de leitura e domínio da escrita devem ajudar seu filho a ser bem sucedido por aqui. Mas é a fluência em um segundo idioma que vai transformá-lo num verdadeiro cidadão do mundo. Viajar, estudar e trabalhar ganham um sentido mais amplo quando o planeta inteiro serve de tabuleiro.

Sendo assim, que seu filho conheça outros povos e culturas, peça comida, vinho e cerveja sempre no idioma local e assista a filmes estrangeiros sem legenda para encher você de orgulho. E qualquer que seja o país onde ele escolha viver, tomara que perto da casa dele tenha um parque, onde ele possa correr de manhã e passear com o cachorro à tarde. E quando ele ouvir a música arrebatadora de uma cena inesquecível no cinema, que seja capaz de reconhecer cada instrumento.

Que ele tenha muitos livros.

Por fim, desejo que ele goste de falar de tudo isso com você, não só por ser seu filho, mas porque você se tornou um velho sábio.

Paz Profunda.

 

Comida árabe

Hoje minha esposa apareceu em casa com a tal “comida árabe”. Reparem bem na foto. É uma sequência de gosmas de diferentes sabores que vêm acompanhadas de um pão que não prestou nem para crescer.

Não é à toa que os árabes vivem em guerra. São um povo, digamos, explosivo. O cara chega em casa com fome e tem que comer esse troço. É lógico que quando ele sai na rua ele tá puto de ódio. Aí ele encontra outro cara no mesmo estado, ou seja, no “estado islâmico”. O que você acha que acontece? Sai morte! Sai tiro! Neguinho se explode mesmo.

Vamos levar para o Oriente Médio filiais das churrascarias “Fogo de Chão” e “Vento Haragano”. Aquele povo conhecerá a Paz quando souber o que é comida.

Velhos vizinhos

O pessoal que frequenta a minha casa conhece o Grub Ricardo, nosso cocker spaniel. Ele sempre foi um cara quietão e de poucos amigos. Não sei quem puxou.

Atualmente ele está com 13 anos, 90% cego e mais ranzinza do que nunca. Há algumas semanas, ele perdeu o irmão e único amigo Lilo Roberto, um poodle que morreu de AVC aos 14 anos de idade. Desde então, quando nem eu nem minha esposa estamos em casa, tem dias que ele late bastante. Ele nunca foi disso.

Como ficamos sabendo? Pelos vizinhos, claro.

Eu sempre digo que vizinho bom é aquele que mora bem longe. O meu caso é crítico porque os meus vizinhos também são velhos. E não é novidade pra ninguém que velho, quando não está dormindo, está reclamando de alguma coisa. É o frio, é o calor, é a chuva, é o ciático. O bingo que fechou, o Corega que subiu, o intestino que soltou, o cachorro que latiu.

Consultamos um veterinário e ele disse que a causa dos latidos era saudade do irmãozinho falecido. Consultamos um psicólogo e ele disse que o veterinário estava louco. Consultamos uma benzedeira e ela disse que aquilo ia passar. Consultamos o meu pai e ele muito sabiamente me aconselhou a mandar os vizinhos à merda. Sempre aprendi muito com meu pai.

Agora só nos resta apelar pra vocês, sempre tão criativos, solícitos e disponíveis…

Prezo pela minha tranquilidade e para que meu cachorro tenha uma velhice feliz. E não quero mais ter problemas com meus vizinhos. Alguém já passou por isso alguma vez? Se sim, por favor me digam como fizeram para dar sumiço nos corpos?