A arte de não fazer nada

O velho crocodilo flutuava tranquilamente perto da margem do rio quando um jovem crocodilo nadou para perto dele.

— Todos dizem que você é o caçador mais feroz desses rios. Por favor, me mostre sua técnica.

Despertado do seu sono da tarde, o velho crocodilo olhou o jovem por um breve instante e, sem dizer nada, voltou a adormecer.

Isso frustou o rapazinho. Sentindo-se desrespeitado, ele nadou furiosamente rio acima para perseguir alguns bagres. “Vou mostrar a ele”, pensou consigo mesmo.

Mais tarde, o jovem voltou para perto do velho crocodilo, que ainda estava cochilando.

— Eu peguei DOIS bagres bem carnudos hoje. O que você pegou? Nada? Talvez não seja assim tão feroz como dizem…

Mais uma vez, o velho olhou para o jovem. De novo, não disse nada. Apenas fechou os olhos e continuou flutuando na água.

Zangado por não conseguir uma resposta do velho crocodilo, o jovem subiu o rio mais uma vez para ver o que mais conseguiria caçar.

Depois de se debater por algumas horas, finalmente conseguiu capturar uma pequena garça. Segurou firmemente o pássaro com as mandíbulas e nadou de volta para mostrar ao velho quem era o verdadeiro caçador.

Ao contornar a curva do rio, viu que o velho continuava flutuando no mesmo lugar, perto da margem. Mas algo havia mudado. Um grande gnu estava bebendo água a apenas alguns centímetros da cabeça do crocodilo.

Em um movimento rápido como um raio, o velho crocodilo se lançou para fora da água, cravou as mandíbulas no pescoço do gnu e o puxou para o rio.

Impressionado, o jovem foi se aproximando. A pequena garça pendia de sua boca. Observou o velho crocodilo desfrutando da sua refeição de quase 300 quilos e perguntou:

— Por favor… Diga-me… Como… Como você fez isso?!?

Entre os bocados de gnu, o velho finalmente respondeu:

— Eu não fiz nada.

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